A Importância da Sexualidade na Idade Sénior

December 23, 2019 0
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A Importância da Sexualidade na Idade Sénior

Com o surgimento da menopausa nas mulheres e da andropausa nos homens, surgem alterações, a nível fisiológico, físico e psicológico que, por vezes, levam a mulher a sentir-se menos atraente, negligenciando assim a sua própria sexualidade.

O mesmo acontece com os homens, que por vezes perdem, a confiança gerando sentimentos de ansiedade e de pouco à vontade. Associados a estes factores, acresce ainda a falta de diálogo, ausência de intimidade física e estímulos, para conversar sobre as questões do sexo.
Muitos de nós temos crenças sobre o envelhecimento que são incorrectas e que têm como base a generalização, a partir da observação de alguns adultos idosos. As pessoas mais velhas são, muitas vezes, rotuladas de insensatas, caducas e assexuadas. Estas, e outras ideias sobre a sexualidade na última fase da vida, resumem-se a três categorias de estereótipos: a cessação da sexualidade com a idade, as influências nefastas que a sexualidade pode ter na saúde e a conotação perversa se as actividades sexuais prevalecerem. As pessoas mais velhas devem abster-se de qualquer forma de expressão sexual, ignorar e suprimir o desejo sexual, porque é doentio, inadequado e nojento. Esta crença acontece, em parte devido, a que nas culturas em que o objetivo do contacto sexual é a reprodução, logo uma mulher que esteja numa fase pós-menopausica é desadequado a mesma estar sexualmente activa. Por outro lado, existe um pressuposto generalizado de que o coito vaginal, é que é considerado como sexo autêntico.
Existem inúmeras vantagens para os idosos se manterem sexualmente activos, como por exemplo: existência de uma maior lentidão de todos os processos, o que proporciona mais tempo de prazer ou a ausência do receio de engravidar. Tudo isto irá levar os idosos a se interessarem por uma sexualidade mais global, envolvendo os afectos e o corpo todo.
As diferenças face ao sexo, entre homens e mulheres existem e podem ser observadas nos hábitos dos portugueses que têm atitudes mais permissivas no que diz respeito à sexualidade masculina e mais conservadoras e repressivas no que diz respeito à sexualidade feminina. A sexualidade da mulher é, nesta faixa etária, dependente da do homem, já que os declínios na sexualidade da mulher devem-se sobretudo, à morte, doença e desinteresse do cônjuge e no homem: à impotência, doença ou à falta de interesse.
Muitas pessoas encaram a intimidade sexual como adequada apenas no contexto do casamento. No entanto, grande parte das pessoas idosas não vive com os cônjuges, considerando o casamento como contexto onde a actividade sexual regular acontece, implica que, por exemplo, com a morte do cônjuge ocorra a cessação da actividade sexual. As mulheres sobrevivem aos seus companheiros, segundo o Instituto Nacional de Estatistica, cerca de quase uma década, ou mais, fruto da discrepância entre a esperança média de vida da mulher e do homem (respectivamente 82 e 76 anos, para a população portuguesa) e do facto das mulheres, em regra, casarem com homens mais velhos. Como consequência destes factores, 40% de mulheres idosas ficam viúvas e vivem sozinhas.
Por razões culturais, a sexualidade feminina depende da do homem, podendo por morte, disfunção ou doença do mesmo, terminar a mulher, a sua actividade sexual. Para aqueles que têm companheiro sexual, a monotonia nas relações, como a previsibilidade das actividades sexuais e a familiaridade com o companheiro, podem contribuir para a perda de desejo sexual. Com o aumento do tempo de relação, a habituação ao companheiro aumenta e a frequência da actividade sexual diminui.
 Observa-se que as pessoas que praticam alguma actividade física apresentam uma maior satisfação com a vida e também uma melhoria nas capacidades funcionais. No mesmo sentido, verifica-se que os idosos que se mantêm sexualmente activos são os mais activos fisicamente e os que praticam exercício físico regularmente. É importante ter em atenção que uma boa forma física é a condição básica para se ter uma boa aparência, uma boa disposição e as reservas físicas necessárias para se aproveitar uma série de interesses de vida, encontrando-se entre estes, a actividade sexual, da qual é retirado maior prazer, se existir uma boa condição física. É fundamental que haja uma promoção da saúde sexual na idade sénior e para isso é muito importante que estas pessoas mantenham uma actividade física regular.
A satisfação com a relação tem também uma importância grande para os idosos, apesar do desejo sexual se preservar nos adultos idosos saudáveis, eles necessitam de um parceiro com quem manter actividade sexual e de uma relação satisfatória, para continuarem a ter desejo. Particularmente na mulher, visto o desejo desta estar mais em conformidade com o contexto relacional. Verifica-se que os níveis de actividade sexual das pessoas idosas estão relacionados com a sua actividade e interesse sexual na juventude, constatando-se que os homens que foram sexualmente activos na juventude e idade adulta tendem a ser sexualmente activos na idade sénior. Por sua vez, as mulheres que tiveram uma actividade sexual regular antes da idade sénior, nesta fase poderão continuar a tê-la com igual prazer.
Na mulher, uma vida sexual activa ao longo da vida, um bom estado de saúde física e mental, e a presença de um parceiro sexual activo e atencioso, são os ingredientes necessários para manter uma boa actividade sexual na idade sénior. Deste modo o desinteresse sexual só é sinal de preocupação se for desencadeador de problemas pessoais ou relacionados com o casal, pois existem idosos que nunca se interessaram significativamente por sexo, sendo esse desinteresse uma continuação do que acontecia na juventude e na fase adulta.
Quanto mais activa sexualmente a pessoa foi ao longo da sua vida, menos declínio vai haver na última fase da sua vida. Assim, uma mulher de 60 anos, sexualmente activa, não apresentará diminuição da lubrificação vaginal e uma mulher pós-menopausica, que tenha pelo menos, três ou mais vezes relações por mês não terá a vagina pequena e atrofiada como uma mulher que não é activa sexualmente. Logo a melhor maneira de garantirmos um funcionamento adequado dos órgãos, será mante-los em actividade, logo os técnicos deveriam prescrever a par com a actividade intelectual a sexual.

Escrito por: Dr. João Maia 
Psicólogo Clinico – Especializado em Sexologia

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